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Por gentileza…

geragenti               Mais uma sexta-feira 13 chega, muitos tremem só de ouvir falar nisso, cuidados como não cruzar um gato preto neste dia é fundamental, mas esta sexta-feira(13) traz mais motivos para alegria que para temor, o dia 13 de novembro é considerado o dia internacional da gentileza. A idéia da criação deste dia que surgiu em 1996 durante uma reunião com participantes de vários países tem o objetivo de tornar o mundo mais amável e justo.

A rotina, o stress, e a correria diária fizeram com que as pessoas deixassem de usar as “palavrinhas mágicas” que aprendem na infância: “bom dia”, “por favor” e “obrigado”, mas ser gentil não é só isso, é ter generosidade, ser solidário, transformar o ambiente em que se vive, torná-lo mais agradável para si e para os outros.

Podemos ter atos de gentileza em casa, no trabalho, na rua ou no trânsito. “Gentileza é quando uma pessoa é sensível as necessidades das outras, respeita, procura ajudar da melhor maneira possível” é o que pensa a estudante universitária Bárbara Gioseffi, mas ela reclama que infelizmente está faltando gentileza nas relações.

Mente e corpo agradecem, porque atos de gentileza melhoram a saúde das pessoas, tanto de quem recebe quanto de quem pratica o ato. Mas a gentileza não está apenas na relação com o outro, ela também está nos cuidados pessoais com minha saúde, tendo uma boa alimentação, evitando o estresse, é a chamada autogentileza.

Para o jornalista Ricardo Miranda gentileza sempre é bem vinda, mas ele lamenta que o mundo está escasso de gentileza, e afirma que “gentileza tem haver com educação e cultura, porém, as relações estão se tornando mais formais e secas. A cultura do brasileiro, por exemplo, é gentil, mas lamentavelmente isso está se perdendo”.

Gentileza tornou-se o pseudônimo de José Datrino, que ficou conhecido como Profeta Gentileza. Em 1961 ele passou a andar por cidades fluminenses espalhando atos de gentileza. Na década de 80 no Rio de Janeiro, o Profeta Gentileza pintou em 56 pilastras do Viaduto do Caju, perto da Rodoviária Novo Rio, inscrições em verde e amarelo denunciando as coisas e atos que considerava como errados e ao mesmo tempo espalhava uma mensagem de otimismo e esperança a quem passasse pelo local.

Não é necessário sair pintando o “sete” por ai, fazer da gentileza um hábito diário contribui para um mundo mais gentil, e como escreveu o Profeta “Gentileza gera Gentileza”.

Antes de ser mãe…

Antes de ser mãe eu fazia e comia os alimentos ainda quentes.
Eu não tinha roupas manchadas.
Eu tinha calmas conversas ao telefone.

Antes de ser mãe eu dormia o quanto eu queria.
E nunca me preocupava com a hora de ir para a cama.
Eu não me esquecia de escovar os cabelos e os dentes.

Antes de ser mãe eu limpava minha casa todo dia.
Eu não tropeçava em brinquedos nem pensava em canções de ninar.

Antes de ser mãe eu não me preocupava,
Se minhas plantas eram venenosas ou não.
Imunizações e vacinas eram coisas em que eu não pensava.

Antes de ser mãe ninguém vomitou nem fez xixi em mim.
Nem me beliscou sem nenhum cuidado,
Com dedinhos de unhas finas.

Antes de ser mãe eu tinha controle sobre a minha mente,
Meus pensamentos, meu corpo e meus sentimentos.
Eu dormia a noite toda…

Antes de ser mãe eu nunca tive que segurar uma criança chorando,
Para que médicos pudessem fazer testes ou aplicar injeções.
Eu nunca chorei olhando pequeninos olhos que choravam.
Eu nunca fiquei gloriosamente feliz com uma simples risadinha.
Eu nunca fiquei sentada horas e horas olhando um bebê dormindo.

Antes de ser mãe eu nunca segurei uma criança só por
Não querer afastar meu corpo do dela.
Eu nunca senti meu coração se despedaçar
Quando não pude estancar uma dor.
Eu nunca imaginei que uma coisinha tão pequenina pudesse
mudar tanto a minha vida.

Eu nunca imaginei que pudesse amar alguém tanto assim.
Eu não sabia que eu adoraria ser mãe.

 

Antes de ser mãe eu não conhecia a sensação
de ter meu coração fora do meu próprio corpo.
Eu não conhecia a felicidade de alimentar um bebê faminto.
Eu não conhecia esse laço que existe entre a mãe e a sua criança.
Eu não imaginava que algo tão pequenino
pudesse fazer-me sentir tão importante.

Antes de ser mãe eu nunca me levantei à noite a cada 10 minutos
Para me certificar de que tudo estava bem.

Nunca pude imaginar o calor, a alegria, o amor, a dor e a satisfação de ser uma mãe.
Eu não sabia que era capaz de ter sentimentos tão fortes

Por tudo e apesar de tudo, obrigada, Deus,
por eu ser agora um alguém tão frágil e tão forte ao mesmo tempo
Obrigada Deus por permitir-me ser Mãe!

 

“Autora Desconhecida”

Um pouco de Shakespeare

Quando florescem os ipês

“Se eu tiver que ficar nu,

hei de envolver-me em pura poesia,

e dela farei minha casa, minha asa,

loucura de cada dia…”

Vander Lee, in “Alma nua”

 

Setembro se fez presente, na rua da minha casa, com as flores dos ipês. Como se o sopro do criador ali houvesse bafejado, as garras ressequidas – antes içadas aos céus como mãos em desespero – coloriram-se de amarelo, qual um monge chinês, vestido para celebrar a plenitude. E sobre o tapete que já cobria o chão, reencontrei pai e filha, vizinhos anônimos que às vezes ali passeiam, nas manhãs, à hora onírica de minha saída. O triciclo da menina avançava devagar, rangendo sobre a calçada, enquanto algumas flores caíam e, no horizonte, o sol anunciava a proximidade da primavera…

O ipê, não só pelas leituras de Ganymedes José, sempre foi uma de minhas árvores preferidas. Certamente não goza da fama que tantas outras, mas não conheço nenhuma além dele que – de maneira tão pujante – proclame, ao mesmo tempo, a vitória da vida e da poesia. E olhem que várias deram sombra e sonho ao espírito dos homens…

A mais famosa, decerto, é aquela em torno da qual teria ocorrido o começo de tudo. Pivô do pecado original narrado nos devaneios infantis da humanidade, ela traz à memória tantas coisas… Desde as dificuldades de uma espécie que aprendeu a manejar a razão sem amadurecer o coração – tornando-se cega para o paraíso que herdara – até a moça bonita e sorridente, com vestidinho de chita e pintinhas maquiadas no rosto, a oferecer uma maçã do amor enquanto uma fogueira de São João crepita ao fundo, numa noite fria e enluarada de junho…

No entanto, se os rebentos de uma árvore foram pivô de tanto escândalo, a falta dos mesmos em outra não geraria menos debates. A figueira, por não dar frutos, seca de todo… Semente que não vingou, luz que não brilhou sobre a montanha, ela é a vela que se apaga sem iluminar qualquer caminho… Símbolo de todas as vezes em que o sal, podendo, não salgou, dos talentos desperdiçados nos caminhos e descaminhos da vida…

Talvez esteja aí o encanto do ipê. Gosto de imaginá-lo como a figueira seca que mergulha fundo em si mesma, buscando forças para renascer em flores, misto de poesia e oração. Nele reencontro a encarnação de tantos Van Goghs e Hugos que, sem forças para mudar o mundo, explodiram em arte por um novo mundo…

E – vejam só! – depois de lançar aos céus suas flores, o ipê recebe de volta o verde. Seria isso uma redenção? Talvez… Uma doce promessa da natureza, a nos infundir coragem para que façamos primavera de nossas vidas, lançando pétalas aos céus, garrafas ao mar… Para adornar nossa casa, transformá-las em nossas asas, nossa poesia…

 Cristiano Otaviano Verutti

Um pouco de Einstein

Cultura do tédio

A professora Ana Maria pediu aos alunos que fizessem uma redação e nela colocassem o que eles gostariam que Deus fizesse por eles. Já em sua casa, corrigindo as redações, ela depara-se com uma que a deixa muito emocionada.

Nesse momento, o marido entra e pergunta:

– O que aconteceu?

– Lê tu mesmo!

Era a redação de um menino, que dizia:

Senhor, esta noite eu quero pedir-Te algo muito especial. Por favor, transforma-me num televisor. Quero ser como a TV da minha casa. Quero ter um lugar especial para mim, e reunir a minha família ao meu redor. Quero ser levado a sério quando falo. Quero ser o centro das atenções, e ser escutado sem interrupções. Quero receber o mesmo cuidado especial que a TV recebe quando não funciona, e ter a companhia dos meus pais quando eles chegam a casa, mesmo que estejam cansados. E que a minha mãe me procure quando estiver sozinha e aborrecida, em vez de ignorar-me. E ainda que os meus irmãos ‘briguem’ para estar comigo. Quero sentir que a minha família às vezes deixa tudo de lado para passar alguns momentos comigo.

Ao terminar de ler a redação, o marido de Ana Maria comenta:

– Meu Deus! Coitado deste miúdo. Imagina como deve ser essa família!

E Ana Maria responde:

– Esta redação é do nosso filho!

                A televisão preenche todos os vácuos. Antes dela a vida era diferente” (Rosash. A Síndrome do Controle Remoto). Antigamente as pessoas tinham o hábito de colocar cadeiras em frente de suas casas, à noite, e ficar conversando.

                Os jantares em família foram substituídos pelos pratos isolados em frente a TV.

Hoje essa prática está extinta, todo mundo possui um ou mais aparelhos de TV em casa e muitas vezes não existe diálogo entre as pessoas que moram sob o mesmo teto.

                A televisão controla a vida das pessoas, ela está lá, com seus muitos canais e disponível a qualquer hora do dia, uma companhia constante.

                Os trabalhadores em geral, ganham pouco e não possuem uma atividade de lazer, a televisão acaba tornando-se o único meio de entretenimento, este muitas vezes absorve passivamente tudo o que lhe é transmitido sem criticar ou analisar o que lhe está sendo veiculado.

                A Cultura do tédio é outra vertente do vício televisivo, conseqüência do excesso de informação, que acontece porque o ser humano busca incessantemente, novidades para se abstrair de seu mundo cotidiano.

                O que nós enquanto futuros jornalistas, formadores de opinião, temos a ver com isso?