Muitos jornalistas desempenham mais de uma função profissional simultaneamente. Antônio Camilo de Paiva é uma dessas pessoas multitarefas. Exerce sua profissão de jornalista e sua vocação de padre.

                Padre Camilo (como é conhecido), é formado em Filosofia pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), e Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), cursos necessários para quem deseja abraçar a vida sacerdotal.

                E o jornalismo? Chegando à conclusão de que não é possível anunciar a Palavra a não ser pelas modernas ferramentas da comunicação, fez Pós-Graduação em Comunicação Social na Faculdade de São Francisco em São Paulo.

Padre Camilo relembra de sua época acadêmica com carinho e diz que viveu todas as experiências que um acadêmico vive, “desde a crise existencial até o desejo de dar resposta ao mundo”. “O mundo de hoje leva o jovem à ‘crise do real’. Não conseguem se desvincular do mundo do faz de conta e levados por este mundo fantasioso fazem uma faculdade de medicina porque é bonito ser médico, ou porque ser médico dá dinheiro e não pela vocação. Futuramente será um mau profissional, porque não tem amor à profissão”.

O entrevistado esclarece que usou a medicina como ilustração, pois existem maus profissionais em qualquer profissão, mesmo jornalista ou padre, e foi enfático ao responder que nunca teve dúvidas sobre sua vocação.

 Antes de fazer sua pós-graduação, começou no meio jornalístico com um Jornal Paroquial e numa Rádio Comunitária em Liberdade-MG. Durante a Pós-Graduação se especializou em Rádio. Atuou em Santos Dumont como editor da Folha de São Miguel e como radialista na rádio São Miguel FM, uma rádio católica por ele fundada. Em Juiz de Fora lecionou no Centro de Ensino Superior (CES) e, na Faculdade de Teologia, na disciplina de Comunicação e Pastoral. Em seus cursos buscava levar os alunos a terem uma visão crítica sobre o mass media.

Em sua opinião “com a industrialização cultural, os meios de comunicação ficaram nas mãos dos anunciantes. Um exemplo é a Rede Globo de Televisão que não reza mais sobre a filosofia de Roberto Marinho e sim do Santander, da Coca-Cola, etc. A Rede Globo se dedica à situação enquanto as outras se dedicam à oposição, por exemplo, numa discussão de condomínio a Rede Globo vai ficar do lado do síndico e as outras emissoras do lado do povo.”

                Padre Camilo fez um paralelo entre a profissão de jornalista e a vocação de padre: “ambas tem uma semelhança muito grande, “o padre tem que ser o homem da comunicação fácil, pois ele comunica um Tesouro que não é próprio, o jornalista é aquele que anuncia a verdade e denuncia as mentiras, é um profeta moderno”.

O sacerdote demonstra extrema preocupação em dar o melhor de si tanto para seus fiéis, ouvintes e leitores, quanto para seus alunos, e diz que “o padre deve ser culto”, e isso se reflete na sua atual empreitada, está finalizando o curso de Mestrado em Comunicação Social na Pontifícia Universidade Salesianum de Roma onde se especializará em Mídias Populares.

Depois que voltar de Roma, seu projeto futuro é lançar uma rádio educativa de Filosofia Católica em Juiz de Fora. E ele finaliza o bate-papo com um recado aos jornalistas e principalmente aos estudantes de jornalismo:

“- Anuncie a verdade a qualquer custo ainda que custe a vida. Seja um profeta moderno”.

E termina com a seguinte frase:

“- Tim Lopes, mártir da verdade”.

 

 A Igreja se preocupa cada vez mais com os meios de comunicação, resultado disso foi o tema escolhido para ambientar as comemorações do Dia Nacional da Juventude – 2008:

 ” Juventude e os Meios de Comunicação”

E o lema: ” Queremos pautar as razões do nosso viver” 

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